quarta-feira, 4 de junho de 2008

Hillary Clinton "morreu" na praia


"Como Obama Ganhou e Clinton perdeu."
a indicação do Partido Democrata para concorrer
à presidência dos Estados Unidos da América nas eleições de novembro 2008.

Hillary and  Obama
Hillary Clinton e Barack Obama

MATTHEW DOWD

Tradução: João Cruzué

"Há um ano Hillary Clinton estava com 30 pontos à frente de qualquer outro rival nas primárias dos Democratas americanos. Ela superava todo o mundo naquele ponto por uma margem de dois por um. Ela possuía o apoio da maioria das lideranças Democratas. Hillary ainda tinha o apoio de um ex-presidente popular que por acaso era seu marido. E perdeu!

O que aconteceu?

Semelhante à qualquer estória, as razões e causas não podem ser facilmente reduzidas a um parágrafo de explicações. Foram múltiplas as causas por que Hillary Clinton perdeu. Eu vou refletir apenas sobre algumas delas a partir da minha perspectiva.

Esta foi uma corrida que Clinton poderia ter ganho e teria ganhado, mas morreu na praia. E o fato de ser uma mulher não teve nada a ver com a derrota.

A seguir eis a minha tentativa em explicar o que aconteceu.

1. Ela se apresentou durante meses e meses como a candidata da experiência e o eleitorado ardentemente clamava por mudanças. Ela desperdiçou grandes recursos e muito tempo discutindo e construindo uma imagem baseada na experiência, e dois terços dos eleitores Democráticos queriam mudanças. Ela tentou reverter isto mais tarde, mas Obama já havia se apropriado disso àquela altura da campanha.

2. O ambiente político desta disputa foi muito diferente do que foi 2004 ou 2000. Naquelas eleições a força foi o atributo de chave que o país procurava. O país buscava mais a figura de um pai. Hoje, o país está procurando mais uma presença de cura, alguém com uma capacidade especial de reconciliar a família americana, uma figura maternal . O país queria uma Mamãe, e Hillary deu-lhes um Papai. Ela tentou mostrar força e dureza, mas o que os eleitores Democratas queriam mais eram cuidados e sensibilidade.

3. As campanhas presidenciais sempre são sobre a compreensão dos medos dos eleitores, mas não se esquecendo de perguntar sobre suas esperanças. Clinton fez um trabalho incrível falando sobre os medos dos eleitores, mas ela nunca cruzou a ponte para falar sobre suas esperanças. Ela empacou na equação do lado do medo, e os eleitores necessitavam que ela transpusesse para o lado da esperança em algum momento.

4. A campanha de Hillary Clinton baseou sua estratégia tática na idéia de que isto seria uma disputa breve; que as vitórias em grandes estados cedo decidiriam, muito rapidamente. Estas primárias tornaram-se uma corrida longa em que cada convenção do partido ou primárias eram importantes. Clinton misturou remanejamento de campanha baseada em um esforço mais longo no meio de primárias aquecidas.

5. Hillary nunca se separou o bastante de Bill Clinton no decorrer desta campanha. Os eleitores queriam vê-la firme sobre seus próprios pés, e entender que sozinha ela poderia fazer o trabalho que seria a presidência. Cada vez que Bill destacava-se no radar, lembrava aos eleitores que ela não estava sozinha. E junte-se a isto o fato que Bill Clinton, tendo um bom ouvido político e voz para advogar em causa própria, parecia pouco convincente em advogar para mais alguém.

6. O país está procurando por algo novo, na moda , de última geração, e isto é especialmente verdadeiro para eleitores com menos de 30 (a geração 11 de setembro). Barack Obama deu isto aos eleitores, e Hillary, não. Obama foi o Ipod desta eleição, enquanto Hillary era o Walkman. O Walkman é confiável, fácil usar e funciona muito bem, somente não tem o cheiro de última moda que um Ipod tem.

Obviamente, isto é apenas uma lista bem resumida das causas sob minha própria perspectiva, e igualmente tão importante quanto a candidatura de Obama, foi sua mensagem e seus êxitos táticos na campanha.

Mas no fim, esta campanha esteve nas mãos de Hillary Clinton e era uma corrida que ela deveria ter ganhado, não importa quem fosse seu oponente.

E lidando com uma perda que você não tinha como perder, ainda pelas suas próprias ações, isto é muito doloroso. Eu imagino o processo que ela está atravessando e que vai atravessar. Paz para ela".

Tradução João Cruzué

Comentários: este assunto é muito parecido com a estória da corrida entre o coelho e da tartaruga. Ou com uma história bem real: a do Presidente Lula que perdeu três eleições presidenciais antes começar a ganhá-las. Hillary Clintom poderia tomar umas aulas com Lula, sobre como ressuscitar na praia para enfrentar o mar outra vez. Que a lição desta derrota seja aproveitada pelos líderes das igrejas protestantes no Brasil. Como uma pessoa com uma retaguarda de governo tão experiente em tempos de mudanças pode perder uma indicação já ganha para um adversário inexperiente. A diferença entre a vitória e a derrota foi decidida no campo das palavras. Enquanto um candidato explorava o medo do povo insistindo no passado, o outro falava de esperança. Eu já vi essa história antes. João Cruzué

cruzue@gmail.com

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