sábado, 24 de maio de 2008

O voto dos evangelicos americanos

"A DANÇA DO VOTO EVANGÉLICO"
Tradução: João Cruzué
Christine Wicker

A direita religiosa americana está mais uma vez confundindo propositalmente a imprensa e o público com um brilhante truque de mágica. Ela está distraindo-nos com a idéia de que se transformou em uma força mais gentil, amável, esperando que, enquanto estamos ponderando sobre esta "feliz" mudança, esqueçamos sua verdadeira mudança de posição.

O que realmente está acontecendo é que a direita religiosa não controla a grande percentagem de eleitores evangélicos que ela garantia ter. Esses evangélicos votaram com essa direita religiosa por algum tempo, mas nunca formaram um bloco político
sólido na hora de votar. Nesta eleição eles são o fiel da balança.

A direita não-religiosa e o voto evangélico do fiel da balança são de três a cinco vezes mais numerosos que os evangélicos que pisam na linha política da direita religiosa.

Quem diz isto?

Os próprios evangélicos. Só 20% dos evangélicos dizem que estão entre a direita religiosa, segundo a revista evangélica mais conceituada do país, “Christianity Today”. Outras pesquisas mostram que a grande maioria dos evangélicos nem mesmo sabe quem são seus representantes, que a imprensa sempre procura em busca de opinião. Diante de uma lista de nomes, eles encolhem os ombros e respondem: Não fazemos a mínima idéia de quem seja esse cara”.

Estes não são dados estatísticos novos. São as estatísticas ignoradas.

Setenta a 80 por cento das pessoas que os pesquisadores classificam como o evangélicos não crêem de forma igual, não se comportam da mesma forma, e nesta eleição, eles não estão seguindo o voto da direita religiosa. Estes evangélicos são muito parecidos com o americano médio. Eles gostam que seus líderes acreditem em Deus, orem por orientação divina, e que sejam boas pessoas. Eles incomodam-se com o aborto, mas não querem que fazer dele um crime. Eles não estão prontos para o casamento gay, mas não estão xingando ninguém de abominação aos olhos de Deus. A discriminação de qualquer espécie não cai bem entre eles.

Eles são culturalmente conservadores mas não tão reacionários, senão simplesmente cautelosos. Atuam como uma âncora em tempos de tempestade para um país que é agitado de todos os modos por mudanças. Às vezes, eles votam com os Republicanos. Outras vezes para os Democratas.

Os líderes da direita religiosa, por outro lado, querem ainda que seu Deus seja o único Deus permitido em público, em todo lugar, todo o tempo. Eles se opõem a legalização do aborto e direitos gays tão ferozmente como nunca. Eles ainda querem que a educação sexual seja apenas pela abstinência. Eles ainda se opõem aos serviços de proteção infantil, ao ensino da evolução [Darwin], odeiam a legislação sobre crimes, a distribuição de preservativo para combater a AIDS ...e a lista continua. Nada mudou.

Os líderes da direita religiosa simplesmente deslocaram a atenção pública acrescentando questões mais palatáveis. O meio-ambiente e os pobres.

É um bom truque.

Os jornalistas, muitos dos quais pensam como nascidos de novo e pegadores de cobras, estão bem entre seus pares, nunca observaram bastante que dois grupos de evangélicos tão diferentes existem. Os repórteres muitas vezes foram atrás do caráter extravagante e de citações ultrajantes mas não houve interesse nas histórias para o resto dos evangélicos, a maior parte deles.

Pessoas eruditas que se incomodam achando que John McCain perderá o voto da direita religiosa ainda não entenderam o quadro. John McCain não tem nenhum rival quanto ao voto da direita religiosa. Boa parte daqueles eleitores está convencida de que Obama é um candidato muçulmano enrustido, que Hillary Clinton é o Anti-cristo de terninho. Considerando tais sentimentos, McCain não precisa cortejá-la. Ele simplesmente tem que manter aqueles 5 a 8 por cento da população acordada e alarmada o bastante pqra que eles não fiquem [no dia das eleições] em casa.

Somente esses 5 a 8 por cento. Os outros 17 a 20 por cento dos americanos que se chamam evangélicos estão por demais ocupados abrindo bocas de burros com alicate para dar uma examinada nos dentes. Os Democratas têm este voto se se lembrarem de ser moderadamente pios - como eles estão sendo - e principalmente, se mostrando preocupados com questões triviais: saúde, emprego, energia.

Quanto à guerra, ninguém sabe muito o que fazer com ela. Ninguém quer pensar nisso. Ela pode ser seguramente ignorado por enquanto.

Os líderes da direita religiosa pararam de falar sobre as suas questões principais - publicamente, pelo menos - somente porque temem ser expostos por aquilo que eles são. Negociantes de ódio. Isto não os incomoda. Anti-cristãos. Que não os incomoda também.

O que eles temem é ser expostos como a pequena minoria de evangélicos que eles de fato são.

Esta é a importante história da direita religiosa americana deste ano. Por enquanto, a imprensa está se esquecendo dela".

Fonte: Blog Huffingtonpost.com

Tradução: João Cruzué.
SP -16/05/2008

Christine Wicker é autora do livro “Queda da Nação Evangélica: a Surpreendente Crise dentro da Igreja" e uma antiga repórter sobre religião do jornal Notícias da Manhã de Dallas. Salva em uma igreja Batista do Sul aos nove anos de idade, ela vem de uma família de seis gerações de evangélicos. Seu avô materno foi pregador Batista itinerante e seu avô paterno trabalhou nas minas de carvão do Kentucky e crente da Igreja Batista do lava-pés. O endereço de seu blog é www.christinewicker.com.

cruzue@gmail.com

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