sábado, 5 de janeiro de 2008

Consciência e atitude

A conquista do respeito

João Cruzué

Entre os filmes que mais gosto de assistir tem um que chama-se "O Pastor". O protagonista, um velho pastor batista americano, é representado pelo ator James Earl Jones, no filme, às voltas com as injustiças contra os negros da sua comunidade.

Não me lembro se era em Atlanta na Georgia, mas o velho pastor negro dava verdadeiras aulas de cidadania à suas ovelhas como: plantar suas próprias hortas e andar a pé em lugar dos ônibus, onde os negros tinham que levantar-se para brancos assentarem-se. Cada domingo ele pregava um sermão que incomodava as autoridades (brancas) do lugar, principalmente porque o título do sermão era anunciado na placa em frente à Igreja, no início da semana que precedia o domingo - o dia do sermão anunciado.

Não conseguindo dobrar o ânimo do velho pastor, as autoridades - juiz, xerife e o prefeito começaram a pressionar os membros do conselho administrativo da Igreja. Por fim amendrontados, o conselho não conseguindo mudar a visão do pastor, o destituiu no voto.

Em seguida procuraram um substituto que fosse jovem, e que, justamente por isso, poderia ser manipulado e "amaciado" pelo conselho. No filme, o tal jovem sucessor do "desbocado" pastor chamava-se Martin Luther King. Aí o tiro saiu pela culatra. Na verdade, o substituto era muito mais aguerrido e a história conta detalhadamente o respeito que o Pastor Martin Luther King trouxe para a comunidade negra americana. Ele conquistou o respeito com as atitudes de desobediência civil pregadas por Henri David Thoreau e Gandhi.

Os crentes brasileiros, de certo tempo para cá popularmente chamados de "evangélicos", têm muito que aprender de Martin Luther King. Não estamos nos referindo aqui a evangélicos, mas a crentes sinceros em nosso Senhor Jesus Cristo, que pensam, oram e se aborrecem com o preconceito instalado na mídia brasileira, onde todo pastor é ladrão e todo crente ovelha ignorante e crédula sob a exploração de "lobos". É bem verdade que "lobos" existem e que o poder político é muito aspirado, principalmente, pelas lideranças evangélicas de grandes Igrejas, que fingem que o preconceito não existe - para elas.

Mas ele existe sim e nos incomoda. Talvez por ter o r. preso alguns líderes não tomam nenhuma atitude por receio de chantagem e outros por um "excesso" de prudência indefensável. O fato é: que entre as três classes de brasileiros que sofrem preconceitos - negros, gays e evangélicos - os últimos são os mais indefesos por falta de organização e coragem. Com isso nós somos menos respeitados que negros e gays. Coisa que piorou ainda mais recentemente com a exposição recente das ações desastradas de dois líderes neo-pentecostais, para dizer o mínimo.

Podemos, sim, dar um basta neste preconceito e conquistar o respeito que ainda não temos diante da sociedade brasileira. Não que isto vá fazer o mundo ter paz conosco, mas se nada for feito até nossos filhos vão ter vergonha de ser cristãos. Não podemos andar de cabeça baixa. É preciso uma resposta, não radical, mas equilibrada que possa ser traduzida em atitudes individuais simples que no coletivo induza o chamado respeito da sociedade brasileira, que queremos.

Temos que conquistar este respeito por nós mesmos através de uma consciência mais aguçada de cidadania seguida de atitudes legais e eficazes sob pena de mancharmos o nome de cristãos. Quando olho para o Livro de Atos dos Apóstolos e vejo o "estrago" que as palavras de Paulo causavam tanto em judeus quanto em Roma vejo um exemplo mais recente em Martin Luther King. Os cristãos, desde os primeiros apóstolos, sempre tiveram entre seus líderes homens de grande carater e coragem, como está escrito em II Timóteo 1:7.

Há muito que se fala em boicotarmos a Rede Globo com suas novelas sujas e preconceitos contínuos contra evangélicos. Não sou contra a Rede Globo, sou contra o preconceito e as atitudes de seus administradores que tem mesmo ojeriza de crentes. Mas se ela for destruída outra coisa vai ocupar o seu lugar e pode continuar tudo agora. Não sou favorável a atitudes radicais e nem é de bom alvitre ter uma fixação em derrubar órgaos da imprensa.

Nós podemos, sim, DISCIPLINAR o que vai pela TV não importa se seja a Globo, Record ou qualquer outra que se torne hegemônica e venha ferir e prejudicar nossa cidadania cristã. A liberdade de imprensa é uma conquista valiosa dos países verdadeiramente democráticos. Não queremos destruir ninguém, apenas precisamos tomar algumas atitudes que possam, em lugar de destruir ou fechar, aprimorar essa liberdade de expressão.

Estou sugerindo que depois de nos conscientizarmos passemos ao terreno das atitudes como por exemplo esta: anote o nome das empresas que patrocinam os programas que levem lixo para os lares brasileiros ou disseminem o preconceito contra os crentes. E em seguida boicotem seus produtos. Ao chegar no supermercado cada um de nós conscientemente procure produtos de empresas que respeitem a cidadania dos crentes e nosso modo diferente de servir a Deus.

O dia que nos conscientizarmos de nossa força - leia-se potencial de consumo - indiretamente vamos nos fazer respeitar quando ao aplicar o devido "castigo" as empresas que financiam novelas imundas e propositalmente prejudiquem os crentes. Se 25% da população brasileira é crente, o medo do prejuízo vai obrigá-las a nos respeitar e respeitar o que pensamos.

É o que penso. Se isto é justo e honesto, você também pode conscientizar-se e repassar a outros.

autor: João Cruzué
http://blogueiroscristaos.blogspot.com

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