sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Vergonha no Pará


LEILA SUWWAN
enviada especial da Folha de S.Paulo a Belém

"Deputados federais, integrantes da comissão externa da Câmara que visitou na quarta-feira o Pará, afirmaram ontem ter assistido a uma gravação, feita por celular, que mostra uma mulher --suspeitam que seja a menina de 15 anos-- sendo violentada dentro da cela da delegacia de Abaetetuba (PA).

Para os parlamentares, as imagens comprovam que a violência sexual foi perpetrada por vários detentos, sistematicamente e de forma explícita e com possível conivência de autoridades. As imagens estão sendo analisadas para confirmar a identidade da vítima.

Os deputados --Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), Luiza Erundina (PSB-SP) e Elcione Barbalho (PMDB-PA)-- assistiram a um curto trecho e se disseram chocados. Segundo o relato deles, a gravação mostra uma mulher nua, dentro do banheiro da cela da delegacia. Em seguida um dos presos entra, a vira de costas e tem relação sexual com ela. Outro preso aparece na imagem abrindo as calças e avisando que seria o próximo.

"Não tenho dúvida de que era ela. Pelo corpo pequeno e magro e os cabelos curtos, cortados", disse Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo, a respeito da gravação. "A cela é sem sombra de dúvidas a da delegacia de Abaetetuba", afirmou Elcione Barbalho. "É escandaloso, animalesco, dantesco", disse Coutinho.

A menina de 15 anos foi mantida numa cela com cerca de 20 homens por 26 dias. Detida por tentativa de furto, a polícia diz que ela, ao ser presa, afirmou ter 19 anos. Ela nega.

O telefone celular com a gravação, um Motorola V3, foi confiscado por Elcione Barbalho, que está providenciando a identificação definitiva da menina que aparece na imagem.

Os deputados tiveram acesso às imagens após um assessor da deputada, que foi a Abaetetuba buscar informações sobre o caso, localizar um homem que estava vendendo as gravações. O assessor disse que a cópia era oferecida por R$ 100. Uma cópia também foi enviada ao Ministério Público para apuração.

Os deputados suspeitam que a gravação foi feita por um policial e posteriormente retransmitida ao celular apreendido.

A Folha descreveu ontem outro caso de uma suposta violação. Uma detenta do presídio feminino de Ananindeua, recém-chegada de São Miguel do Guamá, relatou que uma mulher portadora de deficiência mental foi estuprada por diversos presos na cela masculina e que um policial teria filmado.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança disse que espera a perícia para abrir os inquéritos sobre a gravação. A governadora Ana Júlia Carepa (PT) reconheceu a gravidade da situação e alegou problemas "estruturais" e "culturais".

Fonte Folha de São Paulo - Uol
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u349999.shtml


Comentário: nós confiamos na justiça divina e nas autoridades constituídas para punir exemplarmente todo desvio de conduta e omissão. Causa espanto ver arrolado nisso uma delegada, uma juíza e uma governadora. Este caso alcançou repercursão internacional e não pertence mais apenas a esfera judicial brasileira. De tudo que se ouviu até hoje sobre agressão aos direitos das pessoas este caso é a ponta de um iceberg de uma mancha indelével da barbárie que está debaixo do tapete. As autoridades já acostumaram com coisas que seriam motivo da queda de qualquer autoridade em países decentes.

A filmagem feita, possivelmente por policial, do estupro desta adolescente sendo abusada dentro da cela por dezenas de homens, e com certeza isso aconteceu todos os 26 dias, e tudo isto debaixo dos olhos e da conivência da justiça é o fim da picada.

Um promotor do Pará pediu a remissão da pena da adolescente, alegando que sua pena já foi paga muito além do que deveria, tal o absurdo que este caso representa. Roubar não é atitude decente, pois devemos nos sustentar com o trabalho do suor nossos rostos. Muito interessante a justiça no Pará (só do Pará?) onde mulher que rouba roupas deve servir de "pasto" para as bestas das cadeias. Se crimes desta natureza for investigados a fundo, é provável que vamos descobrir o óbvio: que isto já tornou-se comum em nossa terra.

Convido aos leitores dessa matéria para que escrevam exaustivamente para todas as autoridades brasileiras combrando providências. E cabe aos nossos irmãos evangélicos e católicos do Pará representar-nos perante as autoridades desse Estado cobrando atitudes, punições e explicações sobre este caso.

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